aquele sorriso, o dos olhos.
é isso que pega. pega sério.
e a boca, é preciso lembrar.
fato. isso dói, e fisicamente.
também, claro, tem o corpo.
não fica pra segundo plano.
bateu viu. é bem mais forte.
e está além. matéria mesmo.
desejos de gente, de cheiro.
afinidade de espírito. agudo.
um som combinado a outro.
grave. é amor, amigo. amor.
sexta-feira, 8 de março de 2013
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
7?
Um som sozinho me deixa ilesa, o vazio por si, também.
Combinados, som e vazio me emocionam. Isso é Arte?
Uma cor sozinha me mantém sã. O branco e um traço, também.
Combinados, cor, branco e traço me comovem. Isso é Arte?
Palavra solta me convém. Silêncio e espaço, também.
Combinados, palavra, silêncio e espaço me impressionam. Isso é Arte?
Matéria bruta me faz bem. Força categórica, também.
Combinados, matéria e força me abalam. Isso é Arte?
Uma imagem me coloca em mim. Um reflexo, como cena, também.
Combinados, imagem, reflexo e cena me desequilibram. Isso é Arte?
Um corpo me sustenta. Movimento e repouso, também.
Combinados, corpo, movimento e repouso me fazem chorar. Isso é Arte?
O palpável me é real. A vontade própria, também.
Combinados, palpável e vontade própria me entorpecem. Isso é Arte?
Uma pessoa não me faz mal. Uma história abandonada, também.
Combinados, pessoa e história me ferem. Isso é Arte?
E se for, como é que vai ser?
terça-feira, 31 de maio de 2011
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Frio
Queria o mundo nas mãos
Só cabiam árvores em seus olhos.
Pousava os pés em suspiros constantes
buscando marés suaves.
Haveria salvação aos afogados do vento?
Existiria razão aos alucinados de sol?
Papai conversava cantando joãos-de-barro
e lavava os pés enterrando melancias
Hoje, rarefeita das experiências não vividas
coloco minhas raízes em lagos azuis.
É assim que as pastagens me laceiam.
terça-feira, 22 de junho de 2010
Egoísmo
Não é fácil lidar com gente.
A vida me permitiu ser árvore
e é assim que me arriacho e cresço.
A incompreensão do ego humano
cria golfos tão profundos
que é preciso uma estação inteira para atravessá-lo.
Claro. Inverno.
Pessoa à qual se está ligada por afeição recípocra.
Amigo.
pelos estragos de seus próprios interesses
é que prefiro as cigarras.
É nas árvores velhas
que as cigarras cantam a aurora.
As carcaças estridentes reconhecem a voz do sol.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Automutilação
Em momentos de cobrança e agonia
é sendo lagartixa
que mais consigo achar a paz.
Soltar um pedaço de meu corpo,
num mecanismo de autodefesa,
é cortar o mal pela raiz.
terça-feira, 18 de maio de 2010
Um coisa velha
Minha solidão se misturou ao nublado do céu
e foi no meio do cinza que uma andorinha cruzou meu olhar *
As velhas saudades...
de qualquer coisa,
de coisa nenhuma.
As (c)antigas tristezas...
de tudo o que sei e
de tudo que não saberei jamais.
De frente pra janela,
vejo a chuva fina que cai.
O aperto no peito só me faz lembrar
o vazio da nossa condição,
por isso carrego no bolso
palavras de incentivo.
*Até que ponto,
caberá nas asas de uma gaivota
todo o voo de um sonho bom?
quarta-feira, 28 de abril de 2010
forró universitário
foi lá pras banda
do interior do mato
onde eu vi um morro grande
co'a floresta virá pasto
e uma pedra
que era muito inteligente
foi quem contou todo causo
como tudo assucedeu
pois era pedra
e vivia longas vidas
muito mais do que um dia
cê podia imaginá
porque a gente
pensa que pedra é parada
mas tem pedra que é alada
como é eu
como é você
pedra é só corpo
homem é pedra alma e cor
pedra é só corpo
homem é pedra alma e cor
Dancinha de criança
dança dança palavrinha
sob a luz da imensidão
pro compasso dessa valsa
forte e fraco faz o som
sete passos tem a dança
uns pra lá outros pra cá
redondilha redondinha
faz o corpo balançar
não precisa ter vergonha
da toada infantil
quem não teve a experiência
de testar tamanho ardil?
redondilha redondinha
presente dos lusitanos
como pode a bonitinha
ser tão ágil nesse canto?
* é preciso compartilhar que, praticamente, todo o poeminha me acabou o sono...
despertar rotineiramente para o banheiro não foi nada.
e eu,
eu não
essa é outra bagagem...
* mas, depois eu dormi.
terça-feira, 27 de abril de 2010
Esperando um sinal de criação...
Entro nas folhas outonais do pátio,
com a mesma esperteza daqueles que já nasceram mortos.
Não nos cabe mais a aurora, nem os cantos matinais.
O momento exige fôlego e disciplina,
como só os lagartos podem ter.
Rastejemos a procura de anzol,
que o raiar da lua, ainda está no mar.
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