Enxuguei meus lábios para falar de amor e, quando os abri para falar, achei-me mudo.
Cantava o amor antes de conhecê-lo.
Agora que o amor me rodeou, pergunto a respeito de seus caminhos.
As palavras transformaram-se numa brisa frágil e as melodias do meu coração numa tranquilidade suave.
Que são essas mãos invisíveis, ora rudes e ora macias que apanham minha alma nas horas de solidão?
Que são essas asas que flutuam ao redor da minha cama, na finitude da noite e me conservam acordado, explicando não sei o quê, dando ouvido ao que não ouço, fixando os olhos no que não vejo, pensando no que não entendo, sentindo o que não apreendo?
Entrego-me a uma força invisível que me mata e me ressucita, depois me mata e me ressucita de novo, até que chega a aurora e a luz enche meu quarto.
E descubro que nisso não há mais sofrimento ou solidão.
Não existem mais 'porque' nem 'talvez', porque tudo se transformou e se renovou.
Tudo se converteu, a começar por meu coração.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
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